No único filme que Anne Karina fez, o Vivre sa Vie do Godard, aparece um sujeito de meia idade que conversa com ela num café. Esse sujeito chama-se Brice Parain e conta-lhe, entre outras coisas, o seguinte:
«No segundo capítulo das aventuras, e após várias peripécias, Porthos, o mosqueteiro grande e desajeitado, que nunca na sua vida pensou, entra num subterrâneo a fim de colocar lá uma bomba. Ele deposita a bomba e vai fazer o caminho de volta para o exterior quando subitamente começa a pensar.E o que é que ele pensa? Pensa como é possível que ponha um pé à frente do outro. Assim que o pensa, Porthos pára de correr, pára de andar, não pode avançar mais e alguns minutos depois, a bomba explode. O tecto do túnel desaba sobre Porthos, mas como é muito forte, qual Atlas, Porthos aguenta-se firme ainda durante algum tempo. Um, dois dias passam, e finalmente Porthos soçobra. Fica soterrado, sem resposta à pergunta em que não conseguia deixar de pensar.»
quinta-feira, maio 19, 2005
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